EcEcc EclesiastesEcclesiastes, capítulochapter EclesiastesEcclesiastes, capítulochapter 1

Estas são as palavras do Mestre, rei em Jerusalém, filho de Davi. “Tudo passa, tudo é transitório! Tudo é tão difícil de compreender!”, diz o Mestre.1:2 A palavra usada aqui cinco vezes (e frequentemente repetida ao longo do livro) não significa exatamente “sem sentido”, como tantas vezes é traduzida. Seu significado básico é “vapor” ou “sopro”, e está associada a tudo o que é transitório e passageiro. “Efêmero” ou “transitório” seriam traduções mais próximas do sentido original — não se trata de algo sem valor, mas de algo que passa rapidamente. Nada permanece! É a brevidade da vida que “parece sem sentido” e provoca uma sensação frustrante de incerteza. É essa existência curta e insubstancial que o Mestre considera difícil de compreender. É algo “escorregadio”, difícil de captar. Que proveito1:3 Esta é outra palavra usada em um sentido especial em Eclesiastes. Seu significado primário é “lucro” ou “ganho” em um contexto comercial, mas aqui é usada mais no sentido de “proveito na vida” — ou seja, qual vantagem se obtém em termos de “sentido da vida” ou de alguma recompensa futura? você tem por se desgastar tanto nesta vida?1:3 Literalmente, “debaixo do sol.” Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre. O sol se levanta, o sol se põe, e depressa volta ao seu lugar para nascer outra vez. O vento sopra para o sul e depois vira para o norte; dá voltas e mais voltas, seguindo seu ciclo sem fim. Todos os rios correm para o mar, mas o mar nunca se enche; os rios retornam ao ponto de onde saíram e recomeçam a correr. Tudo continua sem parar. Não se pode dizer tudo o que há para dizer. Nem se pode ver tudo o que há para ver. Nem se pode ouvir tudo o que há para ouvir.1:8 Literalmente: “o ser humano não consegue expressar; o olho não se satisfaz em ver, o ouvido não se satisfaz em ouvir.”

Tudo o que foi, será outra vez; tudo o que se fez se fará novamente. Nada de novo acontece aqui na terra.1:9 “Aqui”: Literalmente, “debaixo do sol.” Ninguém jamais poderá dizer: “Veja! Isto é novo!” Pois, na verdade, isso já existia há muito tempo, bem antes da nossa época. O problema é1:11 “O problema é”: implícito. que não lembramos do que fizeram os que vieram antes de nós; e os que virão depois também não se lembrarão do que fizemos.

Eu sou o Mestre. Fui rei de Israel e reinava em Jerusalém. Decidi dedicar minha mente a investigar, com sabedoria, tudo o que acontece aqui na terra. É uma tarefa difícil que Deus deu às pessoas a fim de mantê-las ocupadas! Observei tudo o que se faz aqui na terra, e descobri que tudo é passageiro — tentar compreender isso é como tentar agarrar o vento.1:14 “Vento.” Há uma dificuldade na tradução desta palavra, pois a mesma é usada neste livro com os sentidos de “vento”, “sopro” ou “espírito”. Assim, a expressão proverbial “correr atrás do vento” pode também ser entendida como “correr atrás do sopro” ou “do espírito” — o que pode ser interpretado como a busca pelo sentido da vida (sopro/espírito). Por isso, a versão King James traduziu a frase como “aflição de espírito.”

O que é torto não pode ser endireitado, e o que falta não pode ser contado.1:15 Provavelmente, eram provérbios comuns da época. Na essência, dizem que as coisas precisam ser aceitas como são.

Pensei comigo mesmo: “Eu me tornei muito sábio, mais do que todos os reis de Jerusalém que vieram antes de mim. Minha mente acumulou muita sabedoria e conhecimento.” Assim, decidi aplicar minha mente para aprender tudo sobre a sabedoria, e também sobre a loucura e a insensatez. Mas descobri que isso é tão difícil quanto tentar agarrar o vento. Pois quanto maior a sabedoria, maior a frustração; quanto mais conhecimento, maior a dor.